Zahyra Mattar
Tubarão
A indignação dos trabalhadores em bancos no país é profundamente evidente nesta greve. Diferente dos observado nos anos anteriores, em apenas quatro dias de paralisação, completos hoje, a quantidade de agências fechadas e funcionários de braços cruzados é inédita.
Nos 16 municípios abrangidos pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR), todas as 40 agências e pontos de atendimento estão fechadas. A adesão dos colegas do setor privado dá ainda mais força ao movimento.
São aproximadamente 600 trabalhadores de braços cruzados, um número também recorde na região. “A grande adesão dos colegas à greve mostra como estão insatisfeitos. Os bancos arrecadam fortunas e negam um reajuste justo, especialmente se considerarmos as metas impostas”, sacramenta o presidente do SEEBTR, Armando Machado Filho.
Também ontem, uma decisão inédita da justiça foi bastante comemorada pelos sindicalistas. O juiz Jony Carlo Poeta, da primeira vara do trabalho em Tubarão, negou pedido de liminar feito pelo HSBC. O banco havia entrado com uma ação de interdito proibitório.
O magistrado considerou que o movimento é pacífico, ordeiro e não há abusos por parte dos trabalhadores, por isso não há motivo para atender o pedido do banco. Com isso, os grevistas poderão colocar cartazes na fachada do prédio e ficar em frente da agência em manifesto.
No ano passado, na Região Metropolitana de Tubarão, a paralisação foi sólida e durou 18 dias, inclusive com a participação dos colegas da rede privada. No ano anterior, foram 12 dias de greve.
Negociações ainda não foram retomadas
As negociações em torno do reajuste anual aos trabalhadores em bancos no país sem qualquer previsão de voltar a ocorrer. As discussões iniciaram no dia 3 do mês passado. São mais de 100 itens na pauta, entre cláusulas econômicas, sindicais e de saúde, entre outros pontos.
Boa parte já está discutida e acertada. Contudo, as que mais pesam e seguem sem acordo são os itens referentes ao fim das metas abusivas, fim do assédio moral, um percentual mais justo e maior da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e o reajuste salarial.
Os bancos oferecem 6% de aumento, o equivalente a um reajuste real de apenas 0,7%. Os trabalhadores reivindicam 10,25% (INPC no período sobre o percentual de 5%). Diante do impasse, a possibilidade de greve agora é uma certeza.
“Não recebemos nem uma linha de proposta ainda. Pelo minha experiência, é possível que isso ocorre somente na próxima semana”, prevê o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR), Armando Machado Filho.
Uma nova proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é aguardada pelos sindicalistas desde o dia 28 do mês passado. O índice reivindicado pelos bancários eleva para R$ 2,5 mil o piso da categoria. Se o percentual proposto pela Fenaban for aplicado, o salário base não passaria de R$ 1.484,00. Um aumento de menos de 1% em relação ao pago hoje.
Base sindical
O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR) aglutina as instituições nas cidades de Tubarão (sede), Armazém, Braço do Norte, Capivari de Baixo, Grão-Pará, Gravatal, Jaguaruna, Lauro Müller, Orleans, Pedras Grandes, Rio Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima, São Ludgero, São Martinho, e Treze de Maio.

